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Evolução do Trabalho20 de maio de 2025

O Renascimento das Cooperativas

Por José A. Leal

O Renascimento das Cooperativas

Neste último fim de semana, participei da California Co-operative Conference (CCC), em Davis, e isso me fez refletir sobre o quanto essa jornada com a comunidade cooperativista me levou longe. Minha relação com as cooperativas vem evoluindo há anos, moldada por conversas, apresentações e pelo desejo constante de encontrar maneiras melhores de colaborar e compartilhar a propriedade do futuro.

A semente de Radical Companies

Tudo começou anos atrás, na CCC em Sacramento, quando Matt Perez e eu começamos a conversar sobre empresas de propriedade e gestão compartilhadas. Naquela época, ainda não tínhamos as palavras para expressar isso, mas começamos a reconhecer algo fundamental: uma empresa ou equipe só poderia ser verdadeiramente autogerida se também tivesse propriedade compartilhada. Essa percepção simples foi a semente que acabou dando origem ao nosso livro Radical Companies: Organized for Success without Bosses or Employees.

O desenvolvimento da Dinâmica do Propósito Radical

No ano seguinte, na CCC em San Jose, em 2023, apresentei a Dinâmica do Propósito Radical, um conceito que explora como os propósitos únicos de cada um de nós estão enraizados na vida, em nosso ser biológico. As contribuições que recebi foram valiosas e nos ajudaram a melhorar não apenas o aplicativo, mas também a maneira como comunicávamos o conceito. A receptividade do público plantou outra semente, que deu origem a uma compreensão mais profunda da relação entre propósito e forma de organização.

Questionando a linguagem e a identidade

À medida que minha relação com as cooperativas se aprofundou, também comecei a questionar parte da linguagem que cerca o movimento. O termo “trabalhador-proprietário” sempre me pareceu um pouco inadequado. Tendo passado a maior parte da vida como fundador de startups, eu não conseguia deixar de sentir que ele posicionava sutilmente as pessoas como trabalhadores que, por acaso, também têm algum controle. Mas o que me entusiasma nas cooperativas e, de forma mais ampla, nas organizações colaborativas é o espírito de fundar, inovar e construir algo novo. Quero ver uma mudança: sair do foco no trabalho para celebrar o impulso de criar, colaborar e construir algo de valor. Não deveria se tratar mais de sermos fundadores, criadores ou construtores? Entendo a história e o contexto dessa linguagem, mas ainda sinto que ela representa uma oportunidade perdida de repensar como nos posicionamos dentro das cooperativas.

Imaginando um novo futuro cooperativo

Quando voltei a apresentar na CCC em San Diego, em 2024, a visão havia se ampliado. Junto com Luemara Wagner, apresentei a ideia de um ecossistema colaborativo: algo além das cooperativas tradicionais (Reimaginando a cooperação: abrindo caminho para uma abordagem radicalmente centrada na vida). Imaginamos uma rede na qual colaboradores, e não apenas associados, compartilhassem a propriedade de soluções entre empresas que atendessem aos negócios locais, criando um ecossistema dinâmico e interdependente. Buscamos inspiração em elementos das estruturas empresariais, na energia das startups, na independência do trabalho sob demanda e nos princípios cooperativistas. A resposta foi extremamente positiva e confirmou que a comunidade cooperativista está pronta para evoluir.

Iniciando uma conversa

Neste último fim de semana, na CCC em Davis, decidi adotar uma abordagem diferente. Em vez de fazer uma apresentação formal, iniciei uma conversa. Compartilhei um gráfico simples que mostrava como as pessoas haviam transitado entre cinco estruturas de trabalho diferentes, de 1920 a 2024: empresas de capital aberto, sociedades de responsabilidade limitada e outras empresas de capital fechado, franquias, trabalho sob demanda e cooperativas. A conversa fluiu naturalmente, com as pessoas compartilhando suas ideias sobre o que torna cada modelo único e valioso.

Em determinado momento, sugeri que, como este é o ano das cooperativas, talvez seja hora de um renascimento. De reimaginar as cooperativas de uma forma que não apenas celebre o passado, mas também incorpore tecnologias modernas, práticas de gestão compartilhada e aprendizados de outras formas de organização do trabalho. Mencionei como os jovens de hoje buscam sentido e propósito, muitas vezes atraídos por figuras como Jordan Peterson. Não é necessariamente a ideologia dele que me interessa, mas o sinal de que estão procurando algo que não encontraram no sistema atual. Os jovens são atraídos por suas mensagens sobre responsabilidade pessoal, sentido e como lidar com o caos, muitas vezes porque se sentem desconectados das estruturas sociais existentes.

Em um mundo onde as orientações parecem ambíguas, seus conselhos claros e voltados à ação parecem preencher uma lacuna. Ainda assim, acredito que as respostas que procuram não estão em recuperar o passado, mas em criar algo novo, enraizado na colaboração e no crescimento mútuo. Para mim, isso indica que estão buscando respostas que ainda não existem, respostas enraizadas em um futuro que podemos criar juntos ao ouvir de verdade aquilo de que sentem falta.

Ao refletir sobre esse anseio geracional por algo mais, ficou claro para mim que muitos jovens não estão apenas procurando emprego ou estabilidade: estão buscando sentido, identidade e um lugar onde possam contribuir e crescer sem perder a si mesmos. Eles vivem em um mundo de precariedade econômica, desconexão social e desconfiança nas instituições. Muitos se sentem isolados no trabalho sob demanda, limitados pelas hierarquias empresariais ou desiludidos com mudanças que ficam apenas na aparência. Não estão tentando recuperar o passado: desejam cocriar algo que pareça vivo e real. Querem fazer parte de algo que importe. As cooperativas e as organizações colaborativas, se reimaginadas com isso em mente, poderiam se tornar meios poderosos de dar forma a esse anseio: trabalho com propósito, relações autênticas e estruturas que reflitam o mundo em que querem viver, não aquele que herdaram.

Aquela referência não foi recebida como eu pretendia, mas provocou uma reflexão sobre como as cooperativas podem atrair uma nova geração ao responder à sua busca por propósito e sentido. Se as cooperativas e as organizações colaborativas querem se conectar com os jovens, podem enfatizar o crescimento pessoal dentro da comunidade, a sensação de construir e criar juntos algo de valor e a estabilidade que vem da interdependência. Em vez de serem apenas trabalhadores dentro de uma estrutura, podem ser fundadores e inovadores em um ecossistema colaborativo, criando um futuro em que responsabilidade e sentido sejam, por natureza, compartilhados.

Seguindo em frente

A sessão terminou com uma sensação palpável de entusiasmo e curiosidade. Depois, várias pessoas vieram me perguntar como poderiam participar. Para mim, esse foi o chamado à ação. Neste momento, estamos nas etapas iniciais do desenvolvimento de rProtocols, um meio tecnológico de construir entendimento e clareza entre pares. Também estamos procurando pessoas interessadas em iniciar organizações colaborativas voltadas a atender outras empresas ou a comunidade. O entusiasmo na sala reforçou a ideia de que este é um momento de construir juntos. Um momento encorajador foi quando Joe Augusto, da Taxi Coop, uma cooperativa em formação, reconheceu que podemos fazer mais com as cooperativas e apoiou a ideia de ir além do modelo tradicional. Foi um sinal de que o desejo de fazer o movimento cooperativista evoluir é compartilhado. Já não se trata de decidir se devemos repensar as cooperativas, mas de como avançamos juntos. As conversas que tive ao longo do fim de semana me fizeram perceber que a comunidade cooperativista está pronta para explorar uma visão mais dinâmica, colaborativa e inclusiva.

Vamos continuar essa conversa e imaginar o que as cooperativas podem se tornar. Se você tem interesse em conhecer melhor os ecossistemas colaborativos e a visão por trás do rCollabs, visite nosso novo site em Radical.World, se é que você já não está aqui ;) Estamos construindo um espaço onde colaboração, propriedade compartilhada e propósito se unem para servir à vida.

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