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Nosso Sistema Vivo21 de abril de 2026

Por que é tão difícil conectar — mesmo quando tentamos

Por José A. Leal

Por que é tão difícil conectar — mesmo quando tentamos

No meu último artigo, analisámos algo que acontece instantaneamente — como o significado se forma antes de nos apercebermos e como aquilo que sentimos ser uma visão clara do que está a acontecer simplesmente aparece.

Acontece dentro de cada um de nós e, de forma ainda mais decisiva, entre nós. Num mundo que parece cada vez mais desligado e fragmentado, por mais que tentemos, parece que não conseguimos encontrar uma forma de avançar.

Para a maioria de nós, não parece que estejamos a tentar afastar-nos uns dos outros. Pelo contrário. Esforçamo-nos para compreender, para explicar e para responder de uma forma que chegue à outra pessoa. Mesmo nas conversas difíceis, costuma existir alguma sensação — por mais ténue que seja — de que a ligação é possível.

E, no entanto, continuamos a sentir-nos desiludidos. As nossas conversas parecem mais cautelosas. Não é preciso muito para que se deteriorem — uma palavra que não cai exatamente bem, um tom que parece diferente do esperado. Mesmo quando nada está explicitamente errado, existe muitas vezes a sensação de que algo já começou a separar-nos por baixo daquilo que está a ser dito.

O que é interessante é que a mesma coisa está a acontecer com todas as pessoas envolvidas. Nesse mesmo momento, algo já está a emergir também nos outros — não depois da interação, mas como parte dela. Os processos de criação de sentido estão a responder uns aos outros.

Mas aquilo com que estão a trabalhar não é o mesmo.

Aquilo que cada um de nós leva para o momento é moldado pelo que viu, ouviu, aprendeu, repetiu e passou a considerar seguro. O que se destaca, o que parece importante e o que parece óbvio já é influenciado por tudo isso. Assim, embora estejamos na mesma conversa, aquilo que se está a formar em cada pessoa não vem do mesmo lugar.

Há momentos em que isto se torna especialmente visível. Acabamos de explicar a nossa perspetiva e a outra pessoa faz uma pausa meio segundo mais longa do que esperávamos antes de dizer: «É uma forma interessante de ver a questão.» Para ela, é um momento genuíno de reflexão silenciosa. Mas para nós — influenciados por experiências anteriores de rejeição cortês — parece que acabou de se erguer uma barreira. Em poucos segundos, algo que parecia promissor passa a parecer irrecuperável.

O que torna isto difícil não é apenas o facto de vermos as coisas de maneira diferente, mas o facto de a reação imediata não parecer estar a formar-se. Apresenta-se como aquilo que existe. Por isso, o que surge em mim parece ser eu — claro, imediato e justificado. E aquilo que vem de outra pessoa não parece algo que se está a formar dentro dela, mas algo que ela está a fazer — algo intencional, algo dirigido.

No passado, raramente tínhamos de superar estas distâncias todos os dias, porque os nossos mundos eram muito mais pequenos. Interagíamos sobretudo com pessoas moldadas pelo mesmo ambiente local. O contexto quotidiano era partilhado. Os pressupostos de base eram, em grande medida, os mesmos.

Mas o mundo moderno acelerou as colisões e desgastou a continuidade. Muitas das interações que temos hoje são moldadas menos por relações duradouras e mais por funções que mudam, rodam e se sucedem rapidamente. Encontramo-nos através de cargos, responsabilidades e breves momentos de contacto, muitas vezes sem o contexto partilhado que antes se construía ao longo do tempo.

Agora, interagimos constantemente com pessoas cujos processos de criação de sentido se formaram em ambientes completamente diferentes, deixando-nos com pouco terreno comum.

É aí que as coisas começam a desviar-se — não apenas no que é dito, mas também na forma como é ouvido. Não porque as pessoas não se importem nem porque alguém não esteja a tentar, mas porque aquilo que ouvimos não corresponde ao que esperávamos ouvir. Uma palavra é recebida de forma diferente daquela que se pretendia. Uma resposta parece estranha, e algo que parecia alinhado um instante antes deixa subitamente de o estar.

A partir daí, tudo acontece depressa. Aquilo que a outra pessoa diz começa a parecer deliberado. Aquilo que ouvimos começa a parecer completo. E a distância entre as duas coisas fecha-se numa conclusão.

«Não veem isto como eu.»
«Não estão a perceber algo óbvio.»
«Estão a escolher responder desta maneira.»

Quando isso acontece, a conversa começa a estreitar-se. Não por decisão, mas pela forma como agora é sentida. Nesses momentos, a reação imediata não parece opcional. A reação já está presente. A interpretação já tem peso. A resposta parece ser a única coisa que faz sentido dizer ou fazer.

Não sentimos a resposta de outra pessoa como um reflexo natural. Ela apresenta-se como uma decisão ativa — uma jogada calculada que a pessoa não precisava de fazer. É aí que a culpa começa a ganhar força. Mas, se aquilo que está a surgir já é a única resposta que faz sentido a partir daquele momento, então a situação muda. Não no que está a ser dito, mas na forma como é compreendido.

Torna-se mais difícil reduzir o que acontece a alguém ser descuidado, obstinado ou não querer ver. E torna-se mais claro que aquilo que está a acontecer é limitado pelo que cada um consegue ver a partir do lugar onde se encontra. Mas, ao mesmo tempo, existe também outra coisa. Não como uma ideia nem como algo que tentamos fazer, mas como parte do que já está a acontecer. Mesmo quando as respostas não coincidem, continua a existir um esforço para compreender o que se passa — uma resposta à incerteza, uma procura de um ponto de apoio.

O desacordo não desaparece. Mas aquilo com que nos relacionamos muda. Deixamos de ver um adversário e começamos a ver alguém movido por impulsos biológicos muito semelhantes aos nossos — alguém que está apenas a tentar encontrar um ponto de apoio numa torrente de pressupostos.

Quando finalmente vemos essa realidade partilhada, deixamos de olhar apenas para o conflito. Começamos a olhar para algo que existe por baixo dele e que sempre lá esteve.

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